quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Aprendizagens efetuadas

Durante todo processo em que me envolvi estes três anos, as aprendizagens que fui adquirindo foram as mais ricas e mais diversificadas que eu senti em todo o curso. Senti que adquiri aprendizagens pessoais e profissionais que acabaram por provar que todo o trabalho que fazemos trazem-nos mais benefícios do que estamos à espera, mesmo que não estejam diretamente relacionadas com os temas que estamos a abordar. 

1.1.     Formação Científica


Senti que com o decorrer das atividades, transmiti ao meu público-alvo variadíssimos conhecimentos, todavia foram várias as aprendizagens que retive com estas três atividades. Por vezes, em prol de uma atividade surgiam questões que eu não tinha previsto no momento, e que precisei de ir pesquisar para poder escalar às crianças/idosos. Por exemplo, quando estava a fazer voluntariado no infantário “A nuvem”, uma criança de 4 anos, fez-me uma pergunta de carácter científico “como nascem os bebés”, no entanto, eu não sabia se respondia “da cegonha” ou se explicava como nascem realmente os bebés. Aprendi então que nunca devemos mentir às crianças para fugir à sua pergunta, mas sim contar a verdade de uma forma simplificada e que choque as suas sensibilidades.
Com a elaboração das três atividades ganhei conhecimentos aprofundados sobre a minha formação científica. Todas as atividades que desenvolvia, quer sejam no contexto 1, 2 ou 3, tinham sempre um carácter científico de modo a trabalhar certos conceitos com as crianças e idosos de forma lúdica e interativa. Ao elaborar estas atividades lúdicas, ganhei uma visão muito mais ampla, de como posso introduzir no futuro atividades para que os alunos não se sintam desmotivados para as realizar. Aprendi que, seja qual for o assunto que se esteja a desenvolver, caso tenha uma componente lúdica é sempre adquirido com maior facilidade.

1.2.     Formação geral


Todas as atividades contribuíram para minha formação pessoal, na medida em que estamos sempre a aprender, aprendemos coisas com as crianças, e com os idosos que são dotados de uma enorme sabedoria. Quando pensamos que estamos sempre a ensinar, ao desenvolver qualquer atividade, estamos a ter uma ideia errada, porque na verdade aprendemos constantemente em várias situações do nosso dia, quer seja formal ou informalmente.
Em todas as atividades, aprendi a criar dinâmicas de grupo, a planificar, a resolver problemas inesperados, que põem em casa a planificação feita. Por exemplo no ATL de verão foram realizadas muitas atividades em grupo, e por vezes apareciam problemas que não eram muito esperados, e que tinham de ser resolvidos. Aprendi a refletir sobre as atividades e sobretudo, aprendi a dizer “tens razão” “eu estou errado”. Aprendi quais os tipos de atividades que as crianças aderem com maior facilidade, e que tipo de atividades causam mais impacto nos idosos, fiquei a saber, que nunca devemos fazer uma atividade muito geral, ou seja, servir-se da mesma atividade para vários grupos de crianças ou mesmo para idosos, pois temos de as adequar sempre às necessidades exigidas. Tive uma maior perceção desta ideia, quando na primeira atividade fiz uma atividade onde trabalhei em conjunto com idosos e com crianças. Embora tenha corrido bem e tenha sido proveitosos, acho que foi muito esgotante para conseguir transmitir os conhecimentos a ambos os públicos com as mesmas atividades.

1.3.     Público-alvo


Trabalhar com idosos e crianças e sempre uma grande oportunidade, pois aprendemos constantemente novos saber, novas formas de pensar. Com o meu público-alvo aprendi, que tipo de questões as crianças fazem, que tipo de dúvidas têm, aprendi formas de responder sem ter de “fugir à pergunta” e também sem inventar uma história. Apercebi-me que as dúvidas das crianças de hoje em dia são muito diferentes das dúvidas que eu tinha quando criança. Com os idosos aprendi principalmente como se divertir com pouco, pois são pessoas que conseguem arranjar os seus passatempos tradicionais sem ter de ser gasto dinheiro em materiais.  Pude diversificar o meu público, principalmente na atividade 1, pois foram feitos grupos bastante abrangentes e tive a oportunidade de saber como falar para pessoas de diferentes origens e idades.
Aprendi que trabalhar com crianças é totalmente diferente de trabalhar com idosos. Na primeira atividade fiz uma atividade que foi destinada a dois públicos totalmente distintos (jovens e idosos), todavia achei que foi muito cansativo conseguir juntar os jovens aos idosos, porque para os jovens tinha de me referir de uma determinada forma, e para os idosos de outra. Achei que se tivesse separado teria sido mais fácil conseguir transmitir os conceitos necessários. No entanto, considero que foi muito vantajoso o intercâmbio de saberes que existia entre os jovens e os idosos

1.4.     Contextos e instituições


O trabalho com contextos tão diferentes foi muito vantajoso, pois deu-me uma noção de várias metodologias de trabalho. Fiquei a conhecer vários contextos onde posso desenvolver projetos de intervenção educativa ou sociocultural. Esta visão mais ampla permite fazer com que pense “fora da caixa” ou seja, esteja habituado a adaptar-me a novas situações de trabalho a novas formas de pensar e a novas pessoas, em vez de ter uma metodologias de trabalho rígida e pouco flexível. Adaptar-se a novas situações no nosso dia-a-dia, quer sejam de trabalho como sociais pode ser muito vantajoso.
Com estes três contextos onde desenvolvi as minhas atividades, aprendi algumas coisas que serão úteis para o meu futuro, aprendi metodologias de trabalho para uma faixa etária bastante ampla (idosos/crianças). Apercebi-me que tipo de atividades fazem num Jardim-de-infância, num ATL e num Centro Comunitário (atividade 1,2 e 3), pude observar estas atividades todas e pude ainda ver como variam os objetivos consoante variam a faixa etária que estamos a trabalhar. Tive uma consciência muito mais aprofundada da importância da flexibilidade e dos problemas que podem aparecer de uma metodologia de trabalho muito rígida.

1.5.     Resultados obtidos


Considero que os resultados que obtive nos três contextos foram bastante positivos, pois em todos eles ganhei bastante experiência pessoal. Todas as atividades correram bem, e considero que causaram de certa forma algum impacto positivo para as instituições como para o meu público-alvo. Considero que as escolhas que fiz nesta UC foram bastante enriquecedoras pois pude relacionar contextos tão distintos.
Além de toda a visão que estes trabalhos me deram sobre a prática profissional, serviram como um “estágio” em contextos não-formais. Pude ver e relacionar alguns contextos que podem ser contextos alvos de um educador/professor. Ainda pude aprofundar e relacionar alguns conhecimentos que fui adquirindo com as minhas UC´s desta licenciatura, como, conceitos de Matemática, Português, História, Ciências, Geografia (principalmente na atividade 3, pois todas as atividades que fiz eram atividades de preparação para o 1º ciclo). Pude assim, juntar todas estas áreas que à partida são totalmente distintas, mas que no futuro terão de estar interligadas para podemos implementar estas práticas em contexto escolar.

1.6.     Dificuldades sentidas


Senti mais dificuldades em conseguir gerir, na primeira atividade, as crianças com os idosos. Pensei que não ia conseguir realizar tudo, pois como eram crianças oriundas de um bairro problemático, tinham um comportamento atípico, no entanto, consegui manter a calma nas atividades e consegui concluir com sucesso. Senti dificuldade na relação com as crianças do Jardim-de-infância, apenas por não estar habituado a trabalhar com crianças tão pequenas e quando dava por mim estava já a falar como se de um adulto se tratasse e tinha de reformular o diálogo. Achei que uma das maiores barreiras foi ter de me deslocar para as instituições.
Outra dificuldade que senti foi arranjar tanta bibliografia para conseguir elaborar as atividades que fui realizando em cada um dos contextos. Depois de encontrar a bibliografia senti ainda dificuldade em conseguir adequar as atividades às expectativas das crianças, à faixa etária, e aos objetivos que pretendia desenvolver. Fez com que pudesse guardar uma panóplia de atividades e de bibliografia bastante vasta, possível de aplicar no futuro.

1.7.     Participação nas atividades


Durante este percurso, pude experimentar vários papéis, pude aperceber-me do tipo de trabalho que se associa a cada contexto. Considero que estas atividades contribuíram para as minhas aprendizagens pessoais pois pude ver como funciona o trabalho em contextos muito distintos. Pude experimentar o papel de orador e de ouvinte, quer seja na atividade 1, 2 ou 3.  
Estas atividades permitiram-me ter uma visão bastante ampla do meu futuro profissional, pude experimentar o papel de professor, educador e de animador e acima de tudo pude relacionar estas áreas. Pude aplicar na prática o que nas aulas aprendo na teoria e aplicar a teoria na prática. Considero que estas práticas acabam por interligar os conhecimentos, e essa interligação dá-se com os papéis que assumimos.

1.8.     Trabalho de equipa


Aprendi que o trabalho que desenvolvemos no dia-a-dia deve ser em equipa, sempre que possível. Até quando vamos às compras sozinhos, estamos a trabalhar em equipa com as pessoas que trabalham no supermercado, e com as pessoas que trabalharam para que os produtos estejam na loja. Aprender a trabalhar em equipa é sempre uma mais-valia, quer seja pessoal ou profissionalmente, pois em equipa conseguimos sempre aprofundar as questões com um rigor muito mais elevado. Para que o trabalho em equipa funcione é necessário que haja um bom relacionalmente entre os membros que formam a equipa de trabalho. Considero que estas aprendizagens são importantes para vida em sociedade, e foram-me traspassadas principalmente quando trabalhei em equipa com as três entidades. Apercebi-me também na atividade 2, quando reparava que em equipa as crianças desenvolviam as tarefas com muito mais qualidade e rapidez.
O trabalho em equipa trás várias vantagens profissionais pois aprender a trabalhar em equipa é a base para uma boa estabilidade profissional. Nestes contextos aprendi a trabalhar em equipa e sobretudo com diferentes pessoas, tendo de me adaptar às exigências e forma de trabalhar de cada pessoa que formaram as várias equipas. Com estas atividades pude perceber a importância de conseguir separar as relações afetivas com as relações profissionais.

1.9.     Reflexão das atividades


Com as reflexões que fui fazendo ao longo da elaboração dos relatórios pude aperceber-me de alguns erros que fui cometendo, e apercebi-me da importância associada à elaboração de reflexões para cada atividade que se desenvolve no dia-a-dia. Refletir é importante para mudar os nossos comportamentos e formas de agir, quer sejam pessoal ou socialmente.
Devemos refletir sobre todas as atividades que desenvolvemos, para poder melhora-las no futuro, melhorando significativamente as práticas nossas pedagogias. Com as reflexões que fiz, além de poder refletir sobre cada atividade em particular, pude ainda comparar as atividades, tal como estou a fazer neste relatório síntese. Assim, podemos comparar várias atividades contribuindo para a sua melhoria.

1.10.  Avaliação da UC Carteira de Competências


Considero que a UC da Carteira de Competências foi uma UC que trouxe várias aprendizagens pessoais, pois aumentou bastante a minha cultura geral, na medida em que tive de fazer pesquisas bibliográficas sobre variadíssimos temas de áreas distintas. Considero que é uma UC que pode servir de intermediaria entre todas as restantes UC´s do curso, fazendo com que haja uma forte ligação entre todas estas áreas que aparentemente são muito distintas.
Inicialmente tinha fracas expectativas em relação a esta UC, não entendia o motivo de haver uma UC sem aulas e não percebia como é que ia aprender desta forma. Na verdade, esta foi a UC que me trouxe mais competências profissionais durante todo o curso, pois fez-me interligar variadíssimos conhecimentos na prática. Como já havia referido, serviu como, um estágio em contextos não formais, que são também possíveis saídas para professores e educadores. Permitiu-me desenvolver o meu pensamento pessoal, fazendo com que consiga arranjar soluções para problemas de uma forma autónoma e precisa.


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