quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Introdução

A Unidade Curricular (UC), Carteira de Competências, foi desenvolvida durante os três anos da Licenciatura em Educação Básica, dado que o esquema de avaliação acordado baseou-se na creditação de dois créditos no primeiro ano, outros dois no segundo e finalmente um crédito no terceiro, perfazendo um total de cinco créditos. A importância de fazer uma UC com uma duração tão ampla como esta é verdadeiramente enriquecedora, pois resume as competências adquiridas ao longo de cada ano letivo. Essa evolução é claramente visível, não só a nível das competências profissionais que se foram adquirindo com a nível das atividades desenvolvidas, vinculadas às competências gerais, que foram adquiridas com os relatórios reflexivos.
Foram propostas a realização de várias atividades autónomas, com o objetivo de garantir aprendizagens de pesquisa, de síntese, de reflexão, e sobretudo de autoaprendizagem.
Após ter realizado todas as atividades, e respetivos relatórios reflexivos, foi proposto ainda pela docente, realizar um relatório síntese englobando e interligando as aprendizagens entre todas as atividades realizadas no decorrer dos três anos.
Este relatório síntese inicia-se com esta introdução, que serve de “mapa do relatório”, aqui é descriminada toda a estrutura do relatório.
De seguida, é apresentada uma breve apresentação de todas as atividades realizadas. Esta apresentação visa a resumir e interligar as aprendizagens adquiridas ao longo a realização e reflexão das três atividades que realizei no decorrer desta UC.
Seguindo esta apresentação, é possível consultar as aprendizagens efetuada que descreve e relaciona ao pormenor as aprendizagens pessoais e profissionais adquiridas com estas atividades. Aqui é também feita uma breve avaliação da pertinência desta UC, e logo depois é possível encontrar algumas opiniões do público retirado dos questionários de avaliação orais ou escritos.
É ainda, apresentada uma conclusão final de todo o trabalho, salientando sobre tudo, os aspetos positivos e negativos que considero relevantes nestes trabalhos e onde farei uma reflexão final sobre todo o trabalho desenvolvido.

Finalmente, apresentarei uma listagem da bibliografia utilizada para a realização de todo o trabalho, que servirá sobre tudo, como um instrumento de trabalho para atividades futuras, pois acaba por ser uma pequena “biblioteca” para professores e educadores. 


Versão do relatório final em PDF
(Versão em PDF do relatório final 
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Trabalho Desenvolvido


Após a proposta apresentada pela tutora decidi tentar diversificar ao máximo as minhas atividades, decidi partir da minha formação inicial de Animador Sociocultural e dos meus conhecimentos desta área, fazendo logo de início uma atividade, um pouco mais interativa do que me foi exigido. Realizei um seminário destinado às crianças que habitam no bairro de São Gonçalo localizado na cidade do Funchal, utilizando para o efeito o Centro Comunitário de São Gonçalo (CCSG).

"O Centro Comunitário de São Gonçalo foi inaugurado em Fevereiro de 2006 e pretende ser um espaço aberto a toda a comunidade, onde se desenvolvem atividades de carácter social, cultural, de ocupação de tempos livres e Projetos de Intervenção Comunitária. Todas as ações/intervenções têm como principal objetivo promover a melhoria das condições de vida da população e o desenvolvimento local, fomentando a participação dos indivíduos, famílias e grupos."
Retirado do relatório 1


Grande parte das crianças que frequentam o CCSG são oriundas de famílias com graves problemas económicos, onde o consumo de estupefacientes é elevado e o índice de problemas de violência, quer familiar, quer escolar, tem vindo a aumentar. Considerei assim, que uma forma de colaborar para a redução destes problemas seria atuar junto das crianças e não dos adultos, pois as crianças serão os adultos de amanhã, e muitas das vezes o exemplo dos seus pais. A atividade que desenvolvi não seria suficiente para terminar com estes problemas, mas o importante foi ter lançado o desafio a algumas instituições do bairro que hoje em dia ainda desenvolvem alguns projetos para trabalhar esta problemática mudando a mentalidade de algumas crianças. Embora não tenha continuado os projetos por motivos de distanciamento do bairro, tenho sempre estado a pare dos acontecimentos que vão sendo desenvolvidos, e o que mais me surpreendeu foi saber que algumas crianças têm efetivamente alterado o comportamento dos seus pais sobre alguns aspetos, nomeadamente em aspetos sociais. Todavia reconheço que o compromisso que o bairro assumiu ainda está longe de ser concluído. Recentemente visitei o bairro para saber como é que estava o progresso social, e fiquei bastante curioso, por ver várias pessoas do bairro a o enfeitar para uma festa que iria ser feita em prol desta temática. “A festa dos vizinhos”, foi mais um passo grandioso que vi este bairro dar, melhorando significativamente os problemas de violência que se verificavam até bem pouco tempo.
O seminário que desenvolvi intitulava-se por “Violência escolar”, tinha como objetivos reunir algumas situações que acontecem com frequência sobre esta temática e analisar, através das atividades teóricas e práticas desenvolvidas, o ponto de vista do agressor e da vítima. Chegamos à conclusão que é muito importante ajudar as vítimas de violência escolar, mas também ajudar os agressores, pois é exatamente aí que encontramos a origem de todos estes problemas associados, entendendo o porquê deste tipo de comportamentos.



R1
(Relatório 1 - clique na imagem para abrir)


Finda esta atividade, decidi inscrever-me num ATL de verão, recorrendo aos espaços da Casa do Povo de Campanário (CPC).



"A Casa do Povo de Campanário foi fundada a 8 de Setembro de 1972 pelo regime corporativo, como organismos cujas latas atribuições lhes conferiram excelentes potencialidades como poderoso instrumento de intervenção nos meios rurais, quer no campo da precedência, quer no da representação profissional dos trabalhadores agrícolas, quer ainda no da animação das comunidades com vista ao seu desenvolvimento e promoção sociocultural."
Retirado do relatório 2



Desenvolvi durante um mês atividades que tinham como objetivo “ocupar as crianças” durante este mês. Na verdade o que pretendi com estas atividades não era ocupar crianças, mas sim usar os seus tempos livres para desenvolver componentes socioculturais e educativas através das atividades práticas que foram sendo realizadas ao decorrer da atividade. Organizei as atividades por temas, temas que respondiam às expectativas iniciais das crianças, e em cada semana iniciava um novo tema. Assim, através das atividades, as crianças divertiam-se e aprendiam sem estarem conscientes das aprendizagens a que estavam envolvidas com cada atividade. No final, decidimos realizar um “espetáculo final”, que tinha como principais objetivos resumir as aprendizagens efetuadas e mostrar à população o trabalho que foi desenvolvido durante esse mês de férias.


Apoio a idosos e crianças
(Relatório 2 - clique na imagem para abrir)

Para a última atividade desta UC, decidi fazer um programa de voluntariado num Jardim de Infância, “A nuvem”.

O Jardim de Infância "A Nuvem", situado em Setúbal é um dos setores do Centro Social Paroquial Nª Srª da Anunciada, é uma instituição privada de solidariedade social (IPSS) que conjuga no atendimento à infância as vertentes pedagógicas e sociais. Este jardim-de-infância possui duas valências de atendimento (creche e jardim-de-infância). 
Retirado do relatório 3

Esta atividade foi muito importante, pois foi o meu primeiro contacto com uma das realidades do curso de Educação Básica. Deu-me uma visão mais ampla do que é ser educador e preparou-me para os estágios que realizei este ano. Organizei as sessões conforme os objetivos que pretendia ir trabalhando, e ao mesmo tempo escolhi os objetivos com base nos objetivos que a educadora pretendia trabalhar, fomentando o trabalho em equipa.
Senti que, as atividades que desenvolvi foram bastante enriquecedoras para as crianças, pois deram-lhes outra metodologia de trabalho, distinta da metodologia que a educadora já praticava, enriquecendo assim o trabalho de ambas as partes. Abordamos conceitos de linguística, através dos provérbios, das histórias, das lengalengas, e do diálogo, conceitos do estudo do meio, da expressão plástica e da geografia através do projeto educativo sobre a ilha da Madeira, e por último conceitos da matemática através da construção e classificação de sólidos geométricos.
Através destas três atividades que desenvolvi nas Carteira de Competências sinto que fiz uma ligação entre os conteúdos lecionados na teoria com a prática, acabando por solidificar algumas das competências que as UC´s teóricas têm vindo a abordar, mas que, acabam por não ficar totalmente assentes, com estes trabalhos teórico-práticos.

voluntariado
(Relatório 3 - clique na imagem para abrir)

Aprendizagens efetuadas

Durante todo processo em que me envolvi estes três anos, as aprendizagens que fui adquirindo foram as mais ricas e mais diversificadas que eu senti em todo o curso. Senti que adquiri aprendizagens pessoais e profissionais que acabaram por provar que todo o trabalho que fazemos trazem-nos mais benefícios do que estamos à espera, mesmo que não estejam diretamente relacionadas com os temas que estamos a abordar. 

1.1.     Formação Científica


Senti que com o decorrer das atividades, transmiti ao meu público-alvo variadíssimos conhecimentos, todavia foram várias as aprendizagens que retive com estas três atividades. Por vezes, em prol de uma atividade surgiam questões que eu não tinha previsto no momento, e que precisei de ir pesquisar para poder escalar às crianças/idosos. Por exemplo, quando estava a fazer voluntariado no infantário “A nuvem”, uma criança de 4 anos, fez-me uma pergunta de carácter científico “como nascem os bebés”, no entanto, eu não sabia se respondia “da cegonha” ou se explicava como nascem realmente os bebés. Aprendi então que nunca devemos mentir às crianças para fugir à sua pergunta, mas sim contar a verdade de uma forma simplificada e que choque as suas sensibilidades.
Com a elaboração das três atividades ganhei conhecimentos aprofundados sobre a minha formação científica. Todas as atividades que desenvolvia, quer sejam no contexto 1, 2 ou 3, tinham sempre um carácter científico de modo a trabalhar certos conceitos com as crianças e idosos de forma lúdica e interativa. Ao elaborar estas atividades lúdicas, ganhei uma visão muito mais ampla, de como posso introduzir no futuro atividades para que os alunos não se sintam desmotivados para as realizar. Aprendi que, seja qual for o assunto que se esteja a desenvolver, caso tenha uma componente lúdica é sempre adquirido com maior facilidade.

1.2.     Formação geral


Todas as atividades contribuíram para minha formação pessoal, na medida em que estamos sempre a aprender, aprendemos coisas com as crianças, e com os idosos que são dotados de uma enorme sabedoria. Quando pensamos que estamos sempre a ensinar, ao desenvolver qualquer atividade, estamos a ter uma ideia errada, porque na verdade aprendemos constantemente em várias situações do nosso dia, quer seja formal ou informalmente.
Em todas as atividades, aprendi a criar dinâmicas de grupo, a planificar, a resolver problemas inesperados, que põem em casa a planificação feita. Por exemplo no ATL de verão foram realizadas muitas atividades em grupo, e por vezes apareciam problemas que não eram muito esperados, e que tinham de ser resolvidos. Aprendi a refletir sobre as atividades e sobretudo, aprendi a dizer “tens razão” “eu estou errado”. Aprendi quais os tipos de atividades que as crianças aderem com maior facilidade, e que tipo de atividades causam mais impacto nos idosos, fiquei a saber, que nunca devemos fazer uma atividade muito geral, ou seja, servir-se da mesma atividade para vários grupos de crianças ou mesmo para idosos, pois temos de as adequar sempre às necessidades exigidas. Tive uma maior perceção desta ideia, quando na primeira atividade fiz uma atividade onde trabalhei em conjunto com idosos e com crianças. Embora tenha corrido bem e tenha sido proveitosos, acho que foi muito esgotante para conseguir transmitir os conhecimentos a ambos os públicos com as mesmas atividades.

1.3.     Público-alvo


Trabalhar com idosos e crianças e sempre uma grande oportunidade, pois aprendemos constantemente novos saber, novas formas de pensar. Com o meu público-alvo aprendi, que tipo de questões as crianças fazem, que tipo de dúvidas têm, aprendi formas de responder sem ter de “fugir à pergunta” e também sem inventar uma história. Apercebi-me que as dúvidas das crianças de hoje em dia são muito diferentes das dúvidas que eu tinha quando criança. Com os idosos aprendi principalmente como se divertir com pouco, pois são pessoas que conseguem arranjar os seus passatempos tradicionais sem ter de ser gasto dinheiro em materiais.  Pude diversificar o meu público, principalmente na atividade 1, pois foram feitos grupos bastante abrangentes e tive a oportunidade de saber como falar para pessoas de diferentes origens e idades.
Aprendi que trabalhar com crianças é totalmente diferente de trabalhar com idosos. Na primeira atividade fiz uma atividade que foi destinada a dois públicos totalmente distintos (jovens e idosos), todavia achei que foi muito cansativo conseguir juntar os jovens aos idosos, porque para os jovens tinha de me referir de uma determinada forma, e para os idosos de outra. Achei que se tivesse separado teria sido mais fácil conseguir transmitir os conceitos necessários. No entanto, considero que foi muito vantajoso o intercâmbio de saberes que existia entre os jovens e os idosos

1.4.     Contextos e instituições


O trabalho com contextos tão diferentes foi muito vantajoso, pois deu-me uma noção de várias metodologias de trabalho. Fiquei a conhecer vários contextos onde posso desenvolver projetos de intervenção educativa ou sociocultural. Esta visão mais ampla permite fazer com que pense “fora da caixa” ou seja, esteja habituado a adaptar-me a novas situações de trabalho a novas formas de pensar e a novas pessoas, em vez de ter uma metodologias de trabalho rígida e pouco flexível. Adaptar-se a novas situações no nosso dia-a-dia, quer sejam de trabalho como sociais pode ser muito vantajoso.
Com estes três contextos onde desenvolvi as minhas atividades, aprendi algumas coisas que serão úteis para o meu futuro, aprendi metodologias de trabalho para uma faixa etária bastante ampla (idosos/crianças). Apercebi-me que tipo de atividades fazem num Jardim-de-infância, num ATL e num Centro Comunitário (atividade 1,2 e 3), pude observar estas atividades todas e pude ainda ver como variam os objetivos consoante variam a faixa etária que estamos a trabalhar. Tive uma consciência muito mais aprofundada da importância da flexibilidade e dos problemas que podem aparecer de uma metodologia de trabalho muito rígida.

1.5.     Resultados obtidos


Considero que os resultados que obtive nos três contextos foram bastante positivos, pois em todos eles ganhei bastante experiência pessoal. Todas as atividades correram bem, e considero que causaram de certa forma algum impacto positivo para as instituições como para o meu público-alvo. Considero que as escolhas que fiz nesta UC foram bastante enriquecedoras pois pude relacionar contextos tão distintos.
Além de toda a visão que estes trabalhos me deram sobre a prática profissional, serviram como um “estágio” em contextos não-formais. Pude ver e relacionar alguns contextos que podem ser contextos alvos de um educador/professor. Ainda pude aprofundar e relacionar alguns conhecimentos que fui adquirindo com as minhas UC´s desta licenciatura, como, conceitos de Matemática, Português, História, Ciências, Geografia (principalmente na atividade 3, pois todas as atividades que fiz eram atividades de preparação para o 1º ciclo). Pude assim, juntar todas estas áreas que à partida são totalmente distintas, mas que no futuro terão de estar interligadas para podemos implementar estas práticas em contexto escolar.

1.6.     Dificuldades sentidas


Senti mais dificuldades em conseguir gerir, na primeira atividade, as crianças com os idosos. Pensei que não ia conseguir realizar tudo, pois como eram crianças oriundas de um bairro problemático, tinham um comportamento atípico, no entanto, consegui manter a calma nas atividades e consegui concluir com sucesso. Senti dificuldade na relação com as crianças do Jardim-de-infância, apenas por não estar habituado a trabalhar com crianças tão pequenas e quando dava por mim estava já a falar como se de um adulto se tratasse e tinha de reformular o diálogo. Achei que uma das maiores barreiras foi ter de me deslocar para as instituições.
Outra dificuldade que senti foi arranjar tanta bibliografia para conseguir elaborar as atividades que fui realizando em cada um dos contextos. Depois de encontrar a bibliografia senti ainda dificuldade em conseguir adequar as atividades às expectativas das crianças, à faixa etária, e aos objetivos que pretendia desenvolver. Fez com que pudesse guardar uma panóplia de atividades e de bibliografia bastante vasta, possível de aplicar no futuro.

1.7.     Participação nas atividades


Durante este percurso, pude experimentar vários papéis, pude aperceber-me do tipo de trabalho que se associa a cada contexto. Considero que estas atividades contribuíram para as minhas aprendizagens pessoais pois pude ver como funciona o trabalho em contextos muito distintos. Pude experimentar o papel de orador e de ouvinte, quer seja na atividade 1, 2 ou 3.  
Estas atividades permitiram-me ter uma visão bastante ampla do meu futuro profissional, pude experimentar o papel de professor, educador e de animador e acima de tudo pude relacionar estas áreas. Pude aplicar na prática o que nas aulas aprendo na teoria e aplicar a teoria na prática. Considero que estas práticas acabam por interligar os conhecimentos, e essa interligação dá-se com os papéis que assumimos.

1.8.     Trabalho de equipa


Aprendi que o trabalho que desenvolvemos no dia-a-dia deve ser em equipa, sempre que possível. Até quando vamos às compras sozinhos, estamos a trabalhar em equipa com as pessoas que trabalham no supermercado, e com as pessoas que trabalharam para que os produtos estejam na loja. Aprender a trabalhar em equipa é sempre uma mais-valia, quer seja pessoal ou profissionalmente, pois em equipa conseguimos sempre aprofundar as questões com um rigor muito mais elevado. Para que o trabalho em equipa funcione é necessário que haja um bom relacionalmente entre os membros que formam a equipa de trabalho. Considero que estas aprendizagens são importantes para vida em sociedade, e foram-me traspassadas principalmente quando trabalhei em equipa com as três entidades. Apercebi-me também na atividade 2, quando reparava que em equipa as crianças desenvolviam as tarefas com muito mais qualidade e rapidez.
O trabalho em equipa trás várias vantagens profissionais pois aprender a trabalhar em equipa é a base para uma boa estabilidade profissional. Nestes contextos aprendi a trabalhar em equipa e sobretudo com diferentes pessoas, tendo de me adaptar às exigências e forma de trabalhar de cada pessoa que formaram as várias equipas. Com estas atividades pude perceber a importância de conseguir separar as relações afetivas com as relações profissionais.

1.9.     Reflexão das atividades


Com as reflexões que fui fazendo ao longo da elaboração dos relatórios pude aperceber-me de alguns erros que fui cometendo, e apercebi-me da importância associada à elaboração de reflexões para cada atividade que se desenvolve no dia-a-dia. Refletir é importante para mudar os nossos comportamentos e formas de agir, quer sejam pessoal ou socialmente.
Devemos refletir sobre todas as atividades que desenvolvemos, para poder melhora-las no futuro, melhorando significativamente as práticas nossas pedagogias. Com as reflexões que fiz, além de poder refletir sobre cada atividade em particular, pude ainda comparar as atividades, tal como estou a fazer neste relatório síntese. Assim, podemos comparar várias atividades contribuindo para a sua melhoria.

1.10.  Avaliação da UC Carteira de Competências


Considero que a UC da Carteira de Competências foi uma UC que trouxe várias aprendizagens pessoais, pois aumentou bastante a minha cultura geral, na medida em que tive de fazer pesquisas bibliográficas sobre variadíssimos temas de áreas distintas. Considero que é uma UC que pode servir de intermediaria entre todas as restantes UC´s do curso, fazendo com que haja uma forte ligação entre todas estas áreas que aparentemente são muito distintas.
Inicialmente tinha fracas expectativas em relação a esta UC, não entendia o motivo de haver uma UC sem aulas e não percebia como é que ia aprender desta forma. Na verdade, esta foi a UC que me trouxe mais competências profissionais durante todo o curso, pois fez-me interligar variadíssimos conhecimentos na prática. Como já havia referido, serviu como, um estágio em contextos não formais, que são também possíveis saídas para professores e educadores. Permitiu-me desenvolver o meu pensamento pessoal, fazendo com que consiga arranjar soluções para problemas de uma forma autónoma e precisa.


Algumas opiniões


No final de cada atividade foi realizado um inquérito de avaliação, que por vezes era oral e outras era escrito, respeitando as necessidades e idades de cada grupo e em alguns casos mais particulares de cada pessoa, com vista a avaliar a pertinência das atividades. Abaixo encontram-se algumas citações das opiniões de alguns participantes das três atividades

“Acho que foi importante para as pessoas aprenderem a ter educação”
Celina Ramos, 74 anos, Atividade 1

“Pensei que ia ser uma seca esta atividade, porque pensei que ia ser só falar, mas acabei por gostar pois não foi uma aula normal, porque havia vários jogos, e o professor tinha sempre muitas atividades interativas”
João Pedro, 15 anos, Atividade 1

“Gostei bastante de trabalhar com idosos. Aprendi muito pois eles acabavam por saber muito mais coisas do que nós.”
Érica Sousa, 13 anos, Atividade 1

“Foi o melhor verão de sempre e aprendi bue”
Henrique Sousa, 14 anos, Atividade 2

“Gostava de ter ido à Praia, mas o professor disse que não podíamos, mas gostei muito faz atividades, principalmente a da Magia Negra. Para o ano espero que haja mais.”
Madalena soares. 15 anos, Atividade 2

“Eu [gotei] [muto] de [bincae] e de [fazei] a ilha da [Madeia]”
Tiago Afoso, 4 anos. Atividade 3 (Transcrição oral)

“ O que [gotei] mais foi de [bincae] e de [fazei] o cubo e a esfera”

Jéssica Rocha, 5 anos. Atividade 3 (Transcrição oral)

Conclusão

Embora alguns discentes, e até docentes questionem-se sobre a pertinência de uma Unidade Curricular com estas características, a sua pertinência é realmente fundamental, pois esta Unidade Curricular permite criar metodologias de trabalho autónomas para a aquisição do conhecimento. Metodologias essas, que serão utilizadas no decorrer de toda a vida, pois qualquer profissional deve estar em constante atualização. Além disto, podemos ver esta UC como um estágio em contextos não formais, estágio esse, que não é gerido pela escola, mas sim pelos alunos, conferindo-lhes a oportunidades de trabalhar nos contextos não formais que lhes despertam um maior interesse e motivação.
Tal como o nome indica, esta é uma UC que proporciona competências profissionais aos estudantes não só através das atividades que desenvolve ao longo do tempo, tais como, conferências relacionadas com a área de estudos, realização de seminários, observações, que podem ser ativas ou passivas, em contextos que podem também ser formais ou não formais, entre variadíssimas atividades que podem ser concebidas em prol desta UC, como também através dos relatórios e reflexões que elaboramos ao decorrer do tempo. A importância de refletir sobre as atividades é muito mais do que realizar um trabalho académico, pois é nos espaços de reflexão que podemos avaliar a qualidade do trabalho desenvolvido e reter as aprendizagens importantes para a prática de qualquer profissional.
A maior dificuldade que existe associada a uma UC desta natureza poderá constituir um ponto negativo para alguns estudantes, está associada à acessibilidade que os alunos têm a estas formações. Por vezes, são pagas o que faz com que muitos dos alunos não possam realizar essas atividades, e por vezes as instituições exigem muita burocracia, dificultando o seu acesso. Considero que seria muito vantajoso que a escola tivesse protocolos com intuições para realizar atividades creditadas para Carteira de Competências de modo a garantir que todos os estudantes tivessem uma certa igualdade em encontrar formações com alguma qualidade. Todavia admito que o facto de ser o estudante a procurar as suas formações e a ter de ser esforçar para conseguir encontrar atividades com alguma qualidade, pode ser vantajoso na medida em que, poderá haver uma certa variabilidade na formação pessoal de cada estudante.

Com as atividades que realizei, considero que aprendi mais com esta metodologia de trabalho autónomo do que com as restantes UC, devido à sua componente prática e ao seu caráter informal. Serviu para por em prática alguns dos conhecimentos teóricos que foram adquiridos nas restantes UC´s. 

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