Durante todo processo em que me envolvi estes três anos, as
aprendizagens que fui adquirindo foram as mais ricas e mais diversificadas que
eu senti em todo o curso. Senti que adquiri aprendizagens pessoais e
profissionais que acabaram por provar que todo o trabalho que fazemos
trazem-nos mais benefícios do que estamos à espera, mesmo que não estejam
diretamente relacionadas com os temas que estamos a abordar.
Senti
que com o decorrer das atividades, transmiti ao meu público-alvo variadíssimos
conhecimentos, todavia foram várias as aprendizagens que retive com estas três
atividades. Por vezes, em prol de uma atividade surgiam questões que eu não
tinha previsto no momento, e que precisei de ir pesquisar para poder escalar às
crianças/idosos. Por exemplo, quando estava a fazer voluntariado no infantário
“A nuvem”, uma criança de 4 anos, fez-me uma pergunta de carácter científico “como
nascem os bebés”, no entanto, eu não sabia se respondia “da cegonha” ou se
explicava como nascem realmente os bebés. Aprendi então que nunca devemos
mentir às crianças para fugir à sua pergunta, mas sim contar a verdade de uma
forma simplificada e que choque as suas sensibilidades.
Com
a elaboração das três atividades ganhei conhecimentos aprofundados sobre a
minha formação científica. Todas as atividades que desenvolvia, quer sejam no
contexto 1, 2 ou 3, tinham sempre um carácter científico de modo a trabalhar
certos conceitos com as crianças e idosos de forma lúdica e interativa. Ao
elaborar estas atividades lúdicas, ganhei uma visão muito mais ampla, de como
posso introduzir no futuro atividades para que os alunos não se sintam
desmotivados para as realizar. Aprendi que, seja qual for o assunto que se
esteja a desenvolver, caso tenha uma componente lúdica é sempre adquirido com
maior facilidade.
Todas
as atividades contribuíram para minha formação pessoal, na medida em que
estamos sempre a aprender, aprendemos coisas com as crianças, e com os idosos
que são dotados de uma enorme sabedoria. Quando pensamos que estamos sempre a
ensinar, ao desenvolver qualquer atividade, estamos a ter uma ideia errada,
porque na verdade aprendemos constantemente em várias situações do nosso dia,
quer seja formal ou informalmente.
Em
todas as atividades, aprendi a criar dinâmicas de grupo, a planificar, a
resolver problemas inesperados, que põem em casa a planificação feita. Por
exemplo no ATL de verão foram realizadas muitas atividades em grupo, e por
vezes apareciam problemas que não eram muito esperados, e que tinham de ser
resolvidos. Aprendi a refletir sobre as atividades e sobretudo, aprendi a dizer
“tens razão” “eu estou errado”. Aprendi quais os tipos de atividades que as
crianças aderem com maior facilidade, e que tipo de atividades causam mais
impacto nos idosos, fiquei a saber, que nunca devemos fazer uma atividade muito
geral, ou seja, servir-se da mesma atividade para vários grupos de crianças ou
mesmo para idosos, pois temos de as adequar sempre às necessidades exigidas. Tive
uma maior perceção desta ideia, quando na primeira atividade fiz uma atividade
onde trabalhei em conjunto com idosos e com crianças. Embora tenha corrido bem
e tenha sido proveitosos, acho que foi muito esgotante para conseguir transmitir
os conhecimentos a ambos os públicos com as mesmas atividades.
Trabalhar
com idosos e crianças e sempre uma grande oportunidade, pois aprendemos
constantemente novos saber, novas formas de pensar. Com o meu público-alvo
aprendi, que tipo de questões as crianças fazem, que tipo de dúvidas têm,
aprendi formas de responder sem ter de “fugir à pergunta” e também sem inventar
uma história. Apercebi-me que as dúvidas das crianças de hoje em dia são muito
diferentes das dúvidas que eu tinha quando criança. Com os idosos aprendi
principalmente como se divertir com pouco, pois são pessoas que conseguem
arranjar os seus passatempos tradicionais sem ter de ser gasto dinheiro em
materiais. Pude diversificar o meu público,
principalmente na atividade 1, pois foram feitos grupos bastante abrangentes e
tive a oportunidade de saber como falar para pessoas de diferentes origens e
idades.
Aprendi
que trabalhar com crianças é totalmente diferente de trabalhar com idosos. Na
primeira atividade fiz uma atividade que foi destinada a dois públicos
totalmente distintos (jovens e idosos), todavia achei que foi muito cansativo
conseguir juntar os jovens aos idosos, porque para os jovens tinha de me
referir de uma determinada forma, e para os idosos de outra. Achei que se
tivesse separado teria sido mais fácil conseguir transmitir os conceitos
necessários. No entanto, considero que foi muito vantajoso o intercâmbio de
saberes que existia entre os jovens e os idosos
O
trabalho com contextos tão diferentes foi muito vantajoso, pois deu-me uma
noção de várias metodologias de trabalho. Fiquei a conhecer vários contextos
onde posso desenvolver projetos de intervenção educativa ou sociocultural. Esta
visão mais ampla permite fazer com que pense “fora da caixa” ou seja, esteja
habituado a adaptar-me a novas situações de trabalho a novas formas de pensar e
a novas pessoas, em vez de ter uma metodologias de trabalho rígida e pouco
flexível. Adaptar-se a novas situações no nosso dia-a-dia, quer sejam de
trabalho como sociais pode ser muito vantajoso.
Com
estes três contextos onde desenvolvi as minhas atividades, aprendi algumas
coisas que serão úteis para o meu futuro, aprendi metodologias de trabalho para
uma faixa etária bastante ampla (idosos/crianças). Apercebi-me que tipo de
atividades fazem num Jardim-de-infância, num ATL e num Centro Comunitário
(atividade 1,2 e 3), pude observar estas atividades todas e pude ainda ver como
variam os objetivos consoante variam a faixa etária que estamos a trabalhar.
Tive uma consciência muito mais aprofundada da importância da flexibilidade e
dos problemas que podem aparecer de uma metodologia de trabalho muito rígida.
Considero
que os resultados que obtive nos três contextos foram bastante positivos, pois
em todos eles ganhei bastante experiência pessoal. Todas as atividades correram
bem, e considero que causaram de certa forma algum impacto positivo para as
instituições como para o meu público-alvo. Considero que as escolhas que fiz
nesta UC foram bastante enriquecedoras pois pude relacionar contextos tão distintos.
Além
de toda a visão que estes trabalhos me deram sobre a prática profissional,
serviram como um “estágio” em contextos não-formais. Pude ver e relacionar
alguns contextos que podem ser contextos alvos de um educador/professor. Ainda
pude aprofundar e relacionar alguns conhecimentos que fui adquirindo com as
minhas UC´s desta licenciatura, como, conceitos de Matemática, Português,
História, Ciências, Geografia (principalmente na atividade 3, pois todas as
atividades que fiz eram atividades de preparação para o 1º ciclo). Pude assim,
juntar todas estas áreas que à partida são totalmente distintas, mas que no
futuro terão de estar interligadas para podemos implementar estas práticas em
contexto escolar.
Senti
mais dificuldades em conseguir gerir, na primeira atividade, as crianças com os
idosos. Pensei que não ia conseguir realizar tudo, pois como eram crianças
oriundas de um bairro problemático, tinham um comportamento atípico, no entanto,
consegui manter a calma nas atividades e consegui concluir com sucesso. Senti
dificuldade na relação com as crianças do Jardim-de-infância, apenas por não
estar habituado a trabalhar com crianças tão pequenas e quando dava por mim
estava já a falar como se de um adulto se tratasse e tinha de reformular o
diálogo. Achei que uma das maiores barreiras foi ter de me deslocar para as
instituições.
Outra
dificuldade que senti foi arranjar tanta bibliografia para conseguir elaborar
as atividades que fui realizando em cada um dos contextos. Depois de encontrar
a bibliografia senti ainda dificuldade em conseguir adequar as atividades às expectativas
das crianças, à faixa etária, e aos objetivos que pretendia desenvolver. Fez
com que pudesse guardar uma panóplia de atividades e de bibliografia bastante
vasta, possível de aplicar no futuro.
Durante
este percurso, pude experimentar vários papéis, pude aperceber-me do tipo de
trabalho que se associa a cada contexto. Considero que estas atividades
contribuíram para as minhas aprendizagens pessoais pois pude ver como funciona
o trabalho em contextos muito distintos. Pude experimentar o papel de orador e
de ouvinte, quer seja na atividade 1, 2 ou 3.
Estas
atividades permitiram-me ter uma visão bastante ampla do meu futuro profissional,
pude experimentar o papel de professor, educador e de animador e acima de tudo
pude relacionar estas áreas. Pude aplicar na prática o que nas aulas aprendo na
teoria e aplicar a teoria na prática. Considero que estas práticas acabam por
interligar os conhecimentos, e essa interligação dá-se com os papéis que
assumimos.
Aprendi
que o trabalho que desenvolvemos no dia-a-dia deve ser em equipa, sempre que
possível. Até quando vamos às compras sozinhos, estamos a trabalhar em equipa
com as pessoas que trabalham no supermercado, e com as pessoas que trabalharam
para que os produtos estejam na loja. Aprender a trabalhar em equipa é sempre
uma mais-valia, quer seja pessoal ou profissionalmente, pois em equipa
conseguimos sempre aprofundar as questões com um rigor muito mais elevado. Para
que o trabalho em equipa funcione é necessário que haja um bom relacionalmente
entre os membros que formam a equipa de trabalho. Considero que estas
aprendizagens são importantes para vida em sociedade, e foram-me traspassadas principalmente
quando trabalhei em equipa com as três entidades. Apercebi-me também na
atividade 2, quando reparava que em equipa as crianças desenvolviam as tarefas
com muito mais qualidade e rapidez.
O
trabalho em equipa trás várias vantagens profissionais pois aprender a
trabalhar em equipa é a base para uma boa estabilidade profissional. Nestes
contextos aprendi a trabalhar em equipa e sobretudo com diferentes pessoas,
tendo de me adaptar às exigências e forma de trabalhar de cada pessoa que
formaram as várias equipas. Com estas atividades pude perceber a importância de
conseguir separar as relações afetivas com as relações profissionais.
Com
as reflexões que fui fazendo ao longo da elaboração dos relatórios pude
aperceber-me de alguns erros que fui cometendo, e apercebi-me da importância associada
à elaboração de reflexões para cada atividade que se desenvolve no dia-a-dia.
Refletir é importante para mudar os nossos comportamentos e formas de agir,
quer sejam pessoal ou socialmente.
Devemos
refletir sobre todas as atividades que desenvolvemos, para poder melhora-las no
futuro, melhorando significativamente as práticas nossas pedagogias. Com as
reflexões que fiz, além de poder refletir sobre cada atividade em particular,
pude ainda comparar as atividades, tal como estou a fazer neste relatório
síntese. Assim, podemos comparar várias atividades contribuindo para a sua
melhoria.
Considero
que a UC da Carteira de Competências foi uma UC que trouxe várias aprendizagens
pessoais, pois aumentou bastante a minha cultura geral, na medida em que tive
de fazer pesquisas bibliográficas sobre variadíssimos temas de áreas distintas.
Considero que é uma UC que pode servir de intermediaria entre todas as
restantes UC´s do curso, fazendo com que haja uma forte ligação entre todas
estas áreas que aparentemente são muito distintas.
Inicialmente
tinha fracas expectativas em relação a esta UC, não entendia o motivo de haver
uma UC sem aulas e não percebia como é que ia aprender desta forma. Na verdade,
esta foi a UC que me trouxe mais competências profissionais durante todo o
curso, pois fez-me interligar variadíssimos conhecimentos na prática. Como já
havia referido, serviu como, um estágio em contextos não formais, que são
também possíveis saídas para professores e educadores. Permitiu-me desenvolver
o meu pensamento pessoal, fazendo com que consiga arranjar soluções para
problemas de uma forma autónoma e precisa.